5 de julho de 2014

A papoila na literatura Portuguesa - Dr Leal Freire

Fotografia de Carlos Fragoso

O destaque  que vem sendo  dado ao  valor  ornamental das   papoilas, sugere-me  uma  divagação  pelos  reflexos  daquela expontânea e  singela   flor  na  nossa  literatura   e nas  artes   em  geral.

Garrett  insere-a  no  FREI  LUIS  DE  SOUSA.

Gonçalves  Crespo  utiliza-a  repetidamente.

E  nenhum  dos  nossos  grandes  líricos—Camões, Bocage, Antero  ou   Pessoa—a  dispensou.

Nas  artes  cénicas, ilustraram-na   Gil  Vicente e  Dom  Francisco  Manuel.

De  resto, até  há  um  filme  da  época  mais produtiva  do  cinema  nacional, intitulado  MARIA  PAPOILA 

Mas, poeticamente, a  flor  imortalizou-se  num  celebérrimo  e  mil  vezes  repetido soneto  irregular de CESÁRIO VERDE

 

Naquele  piquenique  de  burguesas

Houve uma  coisa  simplesmente

E que sem  ter  história  nem  grandezas

Em  todo  o  caso  dava  uma  aguarela

 

Foi  quando  tu  descendo  do burrico

Foste  colher  sem  imposturas  tolas

A  um  granzoal  azul de  grão  de  bico

Um  ramalhete   rubro de  papoilas

 

Pouco   depois, em  cima  duns  penhascos

Nós   merendámos, ainda  o  sol  se  via

E  houve  talhadas  de  melão, damascos

E  pão-de-ló  molhado   em  malvasia

 

Mas  todo  o  glabro, a  sair  da  renda

Do  teu   peito  como  duas  rolas

Era  o  supremo  encanto  da  merenda

O ramalhete  rubro  de  papoulas




Artigo Completo: A papoila na literatura Portuguesa - Dr Leal Freire
Fonte: vilarmaior1
5 O CHIBITO: A papoila na literatura Portuguesa - Dr Leal Freire Fotografia de Carlos Fragoso O destaque  que vem sendo  dado ao  valor  ornamental das   papoilas, sugere-me  uma  divagação  pelos  ref...

12:28 | 5 de julho de 2014


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