Fotografia de Carlos Fragoso
O destaque que vem sendo dado ao valor ornamental das papoilas, sugere-me uma divagação pelos reflexos daquela expontânea e singela flor na nossa literatura e nas artes em geral.
Garrett insere-a no FREI LUIS DE SOUSA.
Gonçalves Crespo utiliza-a repetidamente.
E nenhum dos nossos grandes líricos—Camões, Bocage, Antero ou Pessoa—a dispensou.
Nas artes cénicas, ilustraram-na Gil Vicente e Dom Francisco Manuel.
De resto, até há um filme da época mais produtiva do cinema nacional, intitulado MARIA PAPOILA
Mas, poeticamente, a flor imortalizou-se num celebérrimo e mil vezes repetido soneto irregular de CESÁRIO VERDE
Naquele piquenique de burguesas
Houve uma coisa simplesmente
E que sem ter história nem grandezas
Em todo o caso dava uma aguarela
Foi quando tu descendo do burrico
Foste colher sem imposturas tolas
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoilas
Pouco depois, em cima duns penhascos
Nós merendámos, ainda o sol se via
E houve talhadas de melão, damascos
E pão-de-ló molhado em malvasia
Mas todo o glabro, a sair da renda
Do teu peito como duas rolas
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas
Artigo Completo: A papoila na literatura Portuguesa - Dr Leal Freire
Fonte: vilarmaior1
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