Setembro é o mês dos gatchos, na pronúncia do tempo dos tempos idos; era o mês, em que, por postura do regedor, os cães não podiam andar à solta por mor de não dizimarem as vinhas; era o mês em que os pobres, à socapa, tiravam gatchos para matar a fome e experimentar a doçura do moscatel. Setembro é a memória do cheiro do mosto dos lagares dos ricos e das dornas dos lavradores enfileiradas no cais da Praça e do Pelourinho.
Setembro é o mês da festa do Senhor dos Aflitos que, por sua graça, e por trabalho suor e lágrimas dos homens as arcas do pão se encheram, as tulhas das batatas cresceram e os tonéis aguardam o mosto que, fermentado, há-de, mais do que matar a sede, alegrar o coração dos homens.
Este é o milagre todos os anos repetidos.
Artigo Completo: Setembro, um milagre repetido
Fonte: vilarmaior1
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