A matança era sempre de manhã, de madrugada. Por vezes esperava-se que que o dia clareasse um pouco mais, para o trabalho ser mais limpo e perfeito. O animal tentando fugir aos seus agressores, que o queriam prender, corria, parava, recuava. Enfim tentava fugir de quem o queria agarrar. O porco era agarrado a mão no meio de muita algazarra e corrida.
Agarra-se a perna! Gritava um! Agarra-se o rabo! Gritava outro! Atalhe a corda! Aguenta. A luta era dura e demorada !
Nesta posição um dos homens espetava o "cu, ligado aos intestinos, depois de liberto das carnes laterais, era puxado para fora, até haver espaço suficiente para se poder atar o intestino com um cordel, evitando assim o derrame de qualquer sujidade intestinal. Era sempre uma operação delicada. Nem todas as pessoas sabiam fazê-lo.
Pendurado o animal ficava de cabeça e na vertical. Nesta posição o animal era" esfolado ou aberto" Aqui e agora, tem plena aplicação o ditado popular que diz:
Se queres conhecer o teu corpo, mata o teu porco!
Então num dia mata-se o bicho e no outro desmancha-se.
Quando se mata é normal que o mesmo fique pendurado em local abrigado mas arejado para que a carne esfrie e o sangue escorra. Quando a carne estiver fria desmancha-se e divide-se as carnes que são para congelar e as que serão utilizadas mais tarde para temperar e fazer os fumeiros. Os rins, coração, bofes, baço, bucho e carnes ensanguentadas do pescoço serão utilizadas para fazer as morcelas. Os lombos serão utilizados para fazer os salpicões e as chouriças de carne são feitas com as febras do porco e o pescoço. E claro o belo do presunto.
Toda a carne do fumeiro será temperada, cada uma de sua forma e colocada a secar ao fumo durante algumas semanas. Quanto ao presunto esse será salgado, depois curado e colocado também ao fumo. Este processo demora vários meses.
A matança era uma das mais significativas festas pagãs a mais tradicional do país, de Norte a Sul, do interior ao litoral, unindo as famílias, os vizinhos e amigos, a carne de porco e a batata eram a base essencial da alimentação do Portugal rural até aos anos 8o. O dia da matança, para além dum específico cerimonial, era um autêntico dia de festa, num ambiente de folia e de aproximação ritual da família e da comunidade.
Uma pequena História da matança do porco… Os tempos mudam, as tradições acabam e ficam as recordações dos velhos tempos.
Artigo Completo: A matança do porco
Fonte: Associação Cultural e Recreativa da Torre
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