Forninhos era outrora uma terra de gente mais alegre e com muita mocidade. Não raras eram as vezes em que para fechar em beleza o Domingo, a rapaziada à noite pegava no tocador de concertina - tio Carlos Melias - conhecido também por tio Carlos Cego por num jogo da chona o seu par o ter cegado. Davam a volta ao povo cantando as modas que a concertina tocava e cantares ao desafio. Era uma festa para a malta solteira, mas recém-casados havia que não resistiam à tentação, ainda lhes custava...
Desde as rusgas com a rapaziada por tabernas e adegas até tocar num rancho folclórico da terra e, mais tarde, num grupo de cantares (vide foto), o toque da sua concertina deu alegria a três gerações, sempre disponível para a reinação, independentemente da hora.
Por vezes e para poupar as pernas, montava em cima do burro e amparado pelos rapazes, era desse modo que se fazia a "romaria", cantando desalmadamente, de tal forma que quase nem se ouviam os ferrinhos a marcar o ritmo.
O gosto pelas concertinas é uma marca intrínseca às gentes da terra e não há festa que se preze em que os tocadores não aparecem com ela a tiracolo, prontos para abrilhantar mais um medir de forças na desgarrada.
Sendo vivo, o tio Carlos teria agora oitenta e tal anos. Deixou "herdeiros" na arte de tocador, um filho e netos que nas romarias enchem os terreiros de música popular.
Artigo Completo: O tocador de concertina
Fonte: O Blog dos Forninhenses
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